8.7.10

Afasia

Tudo parece mais claro. Agora é só aguardar a hora certa.
As mãos transpiram e o silêncio ecoa tão gritante e tão contraditório.
Às vezes penso, às vezes faço e às vezes me canso só de pensar se deveria ou não.

Cordas que se alternam, pensamentos que se confundem.
Tudo era tão mais simples quando eu era criança.
Tudo era tão mais simples sem você aqui.
Me sinto perdido. Como se não conhecesse a pessoa que está no espelho.
Rola um conflito, gera uma pane.
Consigo andar por aí sem os seus passos?
Já não consigo distinguir um flash de uma estrela ou um refletor de uma lua cheia.
É patético, inexplicável, desprezível e impotente.
Com quantas palavras se forma uma verdade concreta?

Caminhando sozinho, procuro alinhar o juízo.
Primeiro um tiro seco e depois o vento que antecede a chuva.
Será que isso tudo é real ou só um fruto da minha imaginação?
Enquanto as folhas deslizam pra lá e pra cá, sigo caminhando com um sorriso no rosto. Sigo sonhando com as mãos enfiadas no bolso.
Já passa da meia-noite e eu tenho a impressão que se passou tempo demais.
Tanta coisa pra dizer. Tanta coisa pra cantar.
E pensar que tudo isso foi causado por um simples sorriso.
Às vezes acho que a paixão é tão forte quanto cocaína.
Sei lá. Algum dia sai alguma pesquisa do tipo.

Se já cheguei até aqui, agora falta pouco. Mais um tempo e eu crio, ou vou criar, coragem.
Se eu apertar o botão vermelho, vai fazer din don.
Se eu cruzar essa porta, sei que nunca mais saio. - Sinceramente, eu nem quero.
Se eu ficar frente à frente com ela novamente, eu sei que vou acabar me perdendo em sonhos e planos.
Se eu... Ah, que se dane!
Din don.


08/07/2010

Rabiscado por: Carlos Henrique Alves