O descobrimento do Brasil
É como acordar numa manhã fria, olhar pela janela e ver que o dia cinza nos mostra algo completamente claro.
As crianças apressadas com suas mochilas, ao mesmo tempo em que eu repenso minha vida até aqui.
Enquanto isso, tento lembrar o nome da mulher deitada na cama.
Já faz tanto tempo que não sei o que é fazer amor.
Já faz tanto tempo que estou longe demais.
O cigarro queima tão acelerado quanto os segundos.
Minha vida só tem sido animada durante os poucos instantes em que não estou sóbrio.
Sinto que meu momento não é este e nem que o meu lugar é aqui.
Um deslocado colocado no meio de sorrisos, juras entre outras coisas que não soam tão verdadeiras como nos filmes da TV.
Me perdi lá atrás.
Se não me falha, eu estava no meio do terceiro capítulo da minha vida.
De lá prá cá, só colecionei histórias e momentos alternados sem sequência alguma.
Era bom quando você estava por perto. Me sentia poderoso, dono do mundo, indestrutível. - Um alguém completo e de verdade.
Hoje o sentimento é de um homem só.
Continuo vivendo. Cuido do meu dia-a-dia, pago minhas contas e me protejo atrás da minha armadura de Kevlar.
Sou sociável, fácil de gostar e com minha máscara sigo a vida.
O que foi escrito a beira-mar, nenhum perito perfeito vai conseguir desvendar.
Guardo sufocado, seguro enquanto houver tempo e força.
Nenhum descobrimento é 100% indolor.
Às vezes leva tempo, às vezes passam séculos.
Deixa pra uma outra vida o que foi estragado em apenas um momento.
Não somos mais sonhadores, agora jogamos jogos de adultos.
A inocência foi perdida e mesmo assim eu me perdi no meio de tudo.
Me deixe com outra vida. Sigo em frente com outro nome.
Você só conheceu o melhor de mim, até o dia em que eu mostrei o meu primeiro defeito e você não suportou.
Todos nós temos segredos e defeitos.
Um grão de areia pode trazer boas ou más lembranças.
Depende do momento.
Passados anos e anos, desperto numa manhã fria de Outono.
Entre olhos curiosos e espantados, fumo um cigarro e olho pela janela.
Me deparo com um mundo cheio de perguntas sem respostas, que nem uma máquina do tempo seria capaz de resolver.
Levamos conosco nossos segredos e medos mais assustadores, mas também levamos uma caixa cheia de "Se eu não tivesse/ Se eu tivesse".
I do my best. Mesmo que seja o melhor aos olhos dos outros.
Ainda não passei pro papel estes pensamentos viajantes.
Não sei se a acordo e pergunto seu nome.
Não sei se me jogo e recomeço como bebê numa nova vida.
Sei que a cada manhã fria e cinza em que me levanto pro dia,
Lembro daquela vida totalmente diferente que eu levava estando junto a você.
Lembro daquela vida totalmente diferente que eu levava estando, até sem estar, junto a você.
22/04/2009
Escrito por: Carlos Henrique Alves
3.5.09
