30.6.08

Além do convencional

Você, eu, nada convencional.
Enquanto eu fujo e me viro no meio da minha correria,
Você tenta se achar no meio de suas histórias.
Hoje aqui, amanhã tão longe.
Mande noticias nem que seja um simples: “Hi! I’m still alive”.
Sentir sua falta, não é nada além do normal.
Convém sentir saudades.
E nada disso vai além da verdade.

Mesmo que muitas das vezes, tudo não passe de um difícil exercício de compreensão,
A gente se completa e se concentra em tentar evitar faíscas.
Mesmo sabendo a resposta me pergunto: - Pra quê tudo isso?
E colecionando olhares meticulosos, você me diz que é pra manter a graça e não perder o juízo.
E mais uma vez você me explica:
“No meu mundo, se descarta até o que não tem. Se disfarça o choro e engole as tristezas.”
Vai entender... Vai tentar não se perder...

Tem dias que eu gostaria de poder tocar as estrelas e congelar as gotas da chuva,
Quem sabe eu ainda consiga fazer tudo isso sem parecer loucura.
Afinal, deve ter uns seis meses que você não manda notícias.
Na verdade, eu já até me conformei a olhar as fotos e recordar, moldurar as frases certas,
Dizer para as nuvens que o vento não parou e que tudo continua exatamente como antes.
Sem contar as muitas contradições que nos envolvem,
Entre você e eu, nada foge do convencional.

Sem perder a calmaria, sem sentir os teus lábios
Procurando um corrimão pra me firmar, te segurar
O pior de tudo é que você não vem, não vê.
Fica me torturando com prazeres à distância
Quem vê assim, pensa que eu sempre gostei de observar pela fechadura.

Contando as esquinas, pairando no ar feito um balão
Se perdendo pra eu te achar, pra conseguir de mim o que quiser.
Como se fossem folhetos jogados na rua,
Coletando informações a cada letrinha miúda do contrato
Fazendo o som das teclas parecerem uma orquestra e me confundindo.
Vai entender... Vai tentar não se perder...

Ouvindo distante e querendo por perto
Bate logo na porta ou entre de uma vez.
Se o telefone tocar, apenas ignore, não foi assim que me ensinou?
Jogar as coisas pro alto e arriscar,
“Only for one night, I will try”
E se não der certo, valeu a pena só por tentar

Dizendo que não, pensando em sim,
Entre você e eu, nada foge do convencional.

28/06/2008


Escrito por: Carlos Henrique Alves e Eduardo Parrucci