Coração de papel
Fácil brincar de derrubar gente.
Fácil colocar o dedo na ferida.
Fácil iludir o mundo com seus anéis.
Chefe guerreiro que engana e come gente,
Enquanto conversa, arranca e come coração.
Numa ciranda de gente grande,
Doce menina transforma tudo com seu jeito.
Faz que a chuva vire sol e queime tudo sem restar nada.
Toma conta de tudo e de todos com uma única e espantosa gargalhada.
Mescla tanto amor e ódio que consegue matar os guerreiros em dois meros atos.
Quem um dia irá saber se foi por querer?
Se doce menina era tão doce,
E num breve descompasso prometeu céu e inferno.
Mas nunca cumpriu nada.
De muito doce que se esperava,
Menina amarga acabou por fazer tudo que fez.
Sem ao menos dar vez para aquele que ainda não sabia com o mundo lidar.
Pobre guerreiro que se protege da chuva e do fogo pra não perder seu coração de papel.
11/07/2001
Desenterrado por: Carlos Henrique Alves
20.7.09
