Lisergia
Com a mesma velocidade de quem desce a rua de casa saltando as poças,
Caminho até a esquina de casa e me viro com olhos de despedida.
Nunca mais serei o mesmo.
Com um misto de êxtase e de melancolia, viajo enquanto o efeito ainda está correndo veia adentro.
O que será de você quando olhar pela câmera e descobrir que não está só?
Como você irá reagir quando descobrir que os monstros do armário são maiores do que seus sonhos?
Correrá em direção ao celular buscando o meu número ou ficará em choque pensando ser coisa da sua imaginação?
Pela janela os sons das vozes externas chegam aos meus ouvidos.
Como pode existir tanto barulho em meio a tanto silêncio?
Questões sem muito fundamento ou qualquer importância apenas para preencher o vazio do momento.
Desenho no meio do nada um futuro melhor agora que já tenho um grande material chamado passado.
Passado esse que não faz muita diferença agora que estou voando tão rapidamente quanto à lentidão dos meus sentidos.
Em meio a toda confusão criada, vejo frases que foram ouvidas e pronunciadas sendo transformadas em meros anúncios fixados em paradas de ônibus.
Leio coisa do tipo: ‘É maravilhoso que você tenha conhecido o meu melhor e o meu pior ao mesmo tempo. Pena que a paixão que nasceu em você, tenha sido tão forte a ponto de acabar com tudo no mesmo instante’.
Ao mesmo tempo em que soa triste, gera um riso tão grande com a ironia. É como ter noite de dia.
Me lembro das histórias contadas pelos mais velhos quando eu ainda era uma criança.
Certa vez ouvi que o sol e a lua na verdade são marido e mulher. – Até hoje acho graça quando me lembro disso. Afinal, não deixa de ser uma ótima analogia sobre como relacionamentos podem ser perfeitos.
Gosto dos dias em que meu lado negro se sobressai.
Gosto de luz negra e de pensar em coisas que, aos olhos dos outros, parecem ser surreais.
Acho que nunca vou aprender a pronunciar o seu nome de forma certa.
Mas e daí? Não precisei pronunciar pra saber que você seria o meu elo com o resto de tudo.
Acabei me tornando um independente dependente.
Sendo respeitado por muitos durante o dia e coagido pelo seu jeito durante a noite.
Um perfeito Paranoid Android.
Alguém que tenta se libertar de uma prisão criada apenas para o bem próprio.
Alguém que tenta fugir desses seus olhos que mais parecem um planeta único chamado Paraíso.
Eu criei meu próprio perigo. Fui eu quem acabou arranjando sarna pra se coçar.
E o pior, ou melhor, de tudo é que eu to adorando.
Já começo a sentir meu corpo. Sinto que já posso reagir ao mundo.
Pegue mais uma garrafa de vinho e coloque esse tal de Dark Side of the Moon pra tocar mais uma vez.
30/06/2009
Escrito por: Carlos Henrique Alves
30.6.09
