9.12.08

Fórmulas e variáveis

Os carros vêm e vão.
As luzes seguem iluminando e apontando o meu caminho.
Acho que nunca serei certinho e nem conseguirei agradar a gregos e troianos.
Não nasci pra sua bossa nova e nem pra viajar enquanto escuto certas baladas.
Na verdade acho, e não é de hoje, que você nunca saberá muita coisa sobre mim.
Precisa de decoreba, só consegue fazer a prova se usar colinha.
Diz que pára na minha, mas sempre passa do ponto.
Pouco a pouco faz questão de sair pela tangente.
Às vezes parece que seu seno não bate com meu cosseno,
Dá impressão que seu senso não pega minhas indiretas.
Se torna complicado, muito difícil de compreender.
Mais ao sair por aquela porta, deixe suas pegadas pra eu saber aonde te encontrar.
Do contrário, deixe seu recado após o sinal.

Pra quê perder mais tempo com todo esse nhenhenhém?
Se eu conheço bem esse vento que sopra tudo de volta.
Agasalho-me. Vedo-me por inteiro. Escondo-me no ponto mais isolado.
Mas acaba sempre entrando roupa adentro parando sempre no mesmo lugar.
Fazendo com que eu me agarre nos teus braços para me proteger de tudo e de todos.
Fazendo essa raiz inversa ter uma lógica tão grande como dois e dois são cinco.

Inove! Não me venha com as frases pré-montadas.
Se quiser apresento minhas armas e você decide o que fazer com elas.
Se for o caso, me dissemine.
Nada fica difícil quando todas as fórmulas e variáveis vem estampadas em negrito, aspas e fonte 16.
Só não use algo do tipo ‘Deixa, que eu deixo’.
Isso nunca funcionou e nunca funcionará.
Pois sei que você sabe as coordenadas e a posição correta para colocar a lente de aumento contra o sol.

Queria ter tido tudo quanto é explicação horas antes de me perder de vez no seu raciocínio.
Queria ter tido horas antes d’eu viver e morrer em meio a um simples inspira e respira.
Você me prendeu e, desde então, eu literalmente fiquei preso!
Não consegui mais viver sem esse seu modo imperativo.
Fui cego.
Faltou PhD, faltou fórmula, faltou variável, jogo de cintura ou qualquer poção que aliviasse ou adormecesse meus sentidos.
Quando você saiu por aquela porta sem deixar rastros ou recado, procurei clorofórmio.
Desejei não sentir ódio e nem destruir cada coisa que lembrasse você.
E voluntariamente me entreguei aos movimentos involuntários.
Saindo por aí sem ter hora pra voltar.
Talvez por pura rebeldia. Talvez por livre e espontânea vontade. Talvez por pleno desespero.
Leve exagero eu acreditar que os flocos açucarados em plena madrugada,
Aumentariam o meu nível de serotonina e dariam paz a todo o meu sistema nervoso.
Leve exagero eu acreditar que daqui pra frente tudo seria diferente.

Pra quê perder mais tempo com todo esse nhenhenhém?
Isso nunca funcionou e nunca funcionará.
As luzes seguem iluminando e apontando o meu caminho.
E pela janela eu vejo que os carros ainda vêm e vão.


04/12/2008

Escrito por: Carlos Henrique Alves