Sobre o tempo
Seis da manhã: Olho no espelho e vejo: uma cara amassada, a barba grande e uma boca amarga... Nada de engraçado e irônico fora o calor. Telefone toca e eu escuto: "Temos novidades!". Abro a porta e nada de anormal! O calor irrita e a vontade de ficar em casa ainda é o que faz a diferença.
Quando sair apague as luzes e tranque a porta.
Deito na cama, tento dormir. O tic tac do relógio é tão insuportável quanto clichê. Ligo o som, vejo os emails, volto pra cama e tento dormir. Giro de um lado pro outro. Ligo o ventilador. Quando parece que tudo vai ficar bem, carros buzinam e crianças gritam lá fora.
Dez da manhã: O cansaço agora é letal. A cabeça e o corpo já reclamam de tanto movimento desnecessário, a mente viaja pensando em coisas inúteis... Que mais pra fazer quando o dia está chuvoso? Saio da cama, ponho água pra ferver, tomo um chimarrão e penso nas horas ao mesmo tempo em que elas pensam em mim (e se perdem no tempo e não passam por nada nesse mundo).
Acho que hoje é dia de São Cosme. Onde eu estava há três anos? Aonde eu vou parar se continuar vivendo desse jeito?
Três da tarde: Sigo com: sono, calor incessante e o ventilador ligado. Lá fora continua chovendo. Às vezes tenho a impressão de viver em São Paulo. Às vezes tenho a impressão de ficar prá lá de Bagdá. Telefone toca enquanto já troco os canais de forma robotizada. Então escuto: "A gente se vê mais tarde?!" - automaticamente eu penso: "Você não liga a mínima pro que eu to passando". Então rola o silêncio que separa a sanidade da ignorância e sai somente um: "Vou ver e te ligo!".
Quatro da tarde: Caio no sono e mal percebo que foi o fato de você ter ligado que afastou de vez minha aflição ou desespero. Caio no sono e durmo igual à criança após um dia duro de brincadeira. Acordo às duas da manhã, completamente atrasado e a mil por hora, sem raciocinar enquanto todos já se divertem em alguma balada e você já deve estar sonhando puta da vida por eu nem ter retornado a ligação.
Certos dias eu acordo cantando "Às vezes nunca" sem alguma explicação.
17/12/2007
Escrito por: Carlos Henrique Alves
Seis da manhã: Olho no espelho e vejo: uma cara amassada, a barba grande e uma boca amarga... Nada de engraçado e irônico fora o calor. Telefone toca e eu escuto: "Temos novidades!". Abro a porta e nada de anormal! O calor irrita e a vontade de ficar em casa ainda é o que faz a diferença.
Quando sair apague as luzes e tranque a porta.
Deito na cama, tento dormir. O tic tac do relógio é tão insuportável quanto clichê. Ligo o som, vejo os emails, volto pra cama e tento dormir. Giro de um lado pro outro. Ligo o ventilador. Quando parece que tudo vai ficar bem, carros buzinam e crianças gritam lá fora.
Dez da manhã: O cansaço agora é letal. A cabeça e o corpo já reclamam de tanto movimento desnecessário, a mente viaja pensando em coisas inúteis... Que mais pra fazer quando o dia está chuvoso? Saio da cama, ponho água pra ferver, tomo um chimarrão e penso nas horas ao mesmo tempo em que elas pensam em mim (e se perdem no tempo e não passam por nada nesse mundo).
Acho que hoje é dia de São Cosme. Onde eu estava há três anos? Aonde eu vou parar se continuar vivendo desse jeito?
Três da tarde: Sigo com: sono, calor incessante e o ventilador ligado. Lá fora continua chovendo. Às vezes tenho a impressão de viver em São Paulo. Às vezes tenho a impressão de ficar prá lá de Bagdá. Telefone toca enquanto já troco os canais de forma robotizada. Então escuto: "A gente se vê mais tarde?!" - automaticamente eu penso: "Você não liga a mínima pro que eu to passando". Então rola o silêncio que separa a sanidade da ignorância e sai somente um: "Vou ver e te ligo!".
Quatro da tarde: Caio no sono e mal percebo que foi o fato de você ter ligado que afastou de vez minha aflição ou desespero. Caio no sono e durmo igual à criança após um dia duro de brincadeira. Acordo às duas da manhã, completamente atrasado e a mil por hora, sem raciocinar enquanto todos já se divertem em alguma balada e você já deve estar sonhando puta da vida por eu nem ter retornado a ligação.
Certos dias eu acordo cantando "Às vezes nunca" sem alguma explicação.
17/12/2007
Escrito por: Carlos Henrique Alves
